O Princípio da não contradição faz parte dos Primeiros Princípios, que são a base do conhecimento. Sem eles, nada pode ser conhecido. São 12 princípios básicos e incontestáveis, condições necessárias para qualquer pensamento racional.
O Princípio da não contradição afirma que "Existir é não existir": "E" não pode ser "I". Esse princípio também é auto evidente: Não pode ser negado sem se usar o próprio princípio na negação, o que apenas confirmaria o príncípio.
O Princípio da não contradição pode ser definido assim: A existência não pode ser inexistência, pois são opostos diretos. E opostos não podem ser iguais. Pois quem afirma que "os opostos podem ambos serem verdadeiros, não acredita que o oposto dessa afirmação é verdadeiro".
Com o Princípio da não contradição, formulado por Aristóteles (384-332 A.C.) em sua descoberta da Lógica, podemos demonstrar e refutar uma série de "mantras" relativistas e pluralistas pós-modernos, muito comuns nos dias de hoje, refutando afirmações falsas em si mesmas, que não satisfazem o próprio padrão que afirmam.
São afirmações do tipo "eu não sei escrever em português" (apesar de eu ter acabado de escrever em português), ou como o Chaves fazia, respondendo a uma batida na porta dizendo "não há ninguém em casa".
Mais exemplos:
"Não existe esse negócio de verdade"
- Isso é verdade? Logicamente, essa afirmação é verdadeira. Ou seja, o relativista apenas demonstra que "é verdade que não existe nenhuma verdade", uma afirmação contrária ao Princípio da não contradição, falsa em si mesma, e que não satisfaz o próprio padrão que afirma.
"Não existe nenhuma verdade absoluta"
- Claro que essa afirmação é uma verdade absoluta.
"Não existem absolutos"
- Você está absolutamente certo disso????
"Toda verdade é relativa"
Essa verdade é relativa????
"É verdade para você, mas não é verdade para mim"
- Essa afirmação é verdadeira apenas para você, ou para todo mundo??? Aliás, imagine um bandido falando isso para um policial!
"Eu não existo"
- Quem pergunta????
A negação de toda existência é contraditória, pois é preciso existir para negar toda existência. Quem não existe não nega nada.
Diz o "agnóstico decidido": "Não se pode saber nada com certeza"
- Bem, se não se pode saber nada com certeza, como você pode saber essa afirmação com certeza???
"Eu sou cético sobre tudo"
- Menos com relação ao ceticismo, claro.
"A verdade não pode ser conhecida"
- Então, como você conhece essa verdade????
Diz o niilista: "Não existem valores absolutos, e, no fim das contas, quaisquer valores"
- Claro que a negação de qualquer valor é incoerente, já que a própria negação envolve a crença de que há valor nessa negação. Os niilistas valorizam sua liberdade de serem niilistas.
Dizia um filósofo Kantiano: "Ninguém pode conhecer o mundo real"
- Apesar de afirmar conhecer alguma coisa sobre o mundo real: Que ele não pode ser conhecido! Que a verdade sobre o mundo real, é que não existem verdades sobre o mundo real. Claro que, se não se pode saber nada sobre o mundo real, como se sabe que o mundo real existe???
"Nada tem sentido"
- Claro que essa frase tem um sentido: Afirmar que nada tem sentido!
"Nao tem razão"
- Claro que essa frase foi formulada com uma razão.
"Nada tem propósito"
- Com que propósito se formulou essa frase???
"Ninguém deve impor suas crenças para os outros"
- Então, pq você está me impondo esta sua crença para mim???
"Não siga nenhuma regra"
- Menos esta, claro
"Questione tudo"
- Posso começar questionando por que devo questionar tudo????
"Eu não sei o que é certo, eu sei o que é errado"
- Como se consegue saber o que é moralmente errado a não ser que eu saiba o que é moralmente certo???
Diz o pluralista religioso: "Você não deve questionar as crenças religiosas de outras pessoas".
- Claro que essa é uma crença religiosa do pluralista. Ela é tão exclusiva e intolerante quanto qualquer outra crença religiosa. Por isso, os pluralistas tem uma mente tão fechada quanto qualquer outro religioso.
Ou então mantras relativistas morais muito conhecidos hoje, que podem ser resumidos assim:
"Você nunca deve dizer nunca"
"Você deve sempre evitar dizer a palavra sempre"
"Você absolutamente não deve acreditar em absolutos morais"
- Afirmações com "nunca devem" são afirmações morais absolutas. Por isso, não há maneira de evitar absolutos morais sem afirmar absolutos morais.
Diz o positivistas lógico: "Só existem 2 tipos de proposições válidas (afirmações com sentido): As que são verdadeiras por definição. E as que são empiricamente verificáveis".
- Claro que esse princípio em si mesmo não é verdadeiro por definição, nem pode ser verificado empiricamente. Então, não tem sentido. Enfim, toda essa perspectiva filosófica era falsa em si mesma (por isso que não existe mais).
Na verdade, em todos os casos, os relativistas estão absolutamente certos de que não existem absolutos. A pessoa que nega a existência de todos os valores, valoriza seu direito de negá-los. Ainda, quer que todos o valorizem como pessoa, apesar de negarem que existam valores nas pessoas.
O relativista diz que o relativismo se aplica a todo mundo, e não somente a eles. Pois isso é justamente o que NÃO deveriam dizer, se fossem realmente relativistas. Pois a verdade relativa, por exemplo, só é verdadeira para mim, e não necessariamente para outras pessoas. Então, os relativistas que imaginam que o relativismo é verdadeiro para todos é um absolutista, acreditando em uma verdade absoluta.
Uma pessoa não pode dizer: "É apenas relativamente verdadeiro que o relativismo é verdadeiro". E um relativista não pode dizer: "É verdade absoluta para todo mundo que a verdade é apenas relativamente verdadeira".